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Arroba do boi atinge R$390: consumidor paga, exportadores lucram

A arroba do boi gordo chegou a quase R$400 em São Paulo, mas quem realmente sai ganhando são os exportadores, enquanto a família brasileira sente o impacto na mesa.

Fatores da alta

Em 2023 o preço acumulou alta superior a 20 %, com um terço desse ganho concentrado em outubro, segundo o Cepea. A valorização cambial (+9,15 % na última semana) e a retomada das compras da China para o fim de 2023 são apontadas pelos especialistas como os motores principais.

Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, atribui a alta “principalmente à valorização do câmbio”. João Figueiredo, da Datagro, destaca a “expectativa construtiva” da demanda chinesa. Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea/Esalq‑USP, alerta que “não há muito espaço para a cotação recuar”.

Riscos e consequências

Para o consumidor, a aproximação do teto de R$400 por arroba pressiona a inflação da carne bovina, sobretudo nas festas de fim de ano. Na cadeia produtiva, o spread entre a compra do boi e a venda da carne está entre os menores desde 2023, indicando margens apertadas para frigoríficos e produtores.

A dependência da China traz vulnerabilidade: a tarifa de exportação de 12 % até 1,128 milhões de toneladas em 2027 saltará para 55 % acima desse limite, o que pode reduzir drasticamente os volumes. Qualquer intervenção fiscal ou ajuste de política econômica pode ainda encarecer a demanda interna.

Em resumo, a alta da arroba reflete a força do dólar e a busca por mercados externos, mas transfere o custo ao consumidor e expõe o setor a riscos tarifários e de política pública.

Fonte: diariodocomercio.com.br