Ministério eleva classificação de desenhos bíblicos: quem paga a censura?
O Ministério da Justiça alterou a classificação indicativa do programa infantil Record Kids: Desenhos Bíblicos, passando de “livre” para “não recomendado para menores de 12 anos”, com recomendação de exibição a partir das 20 h.
Reação dos parlamentares
Deputados como Major Mecca (PL‑SP) acusam “perseguição à Bíblia” e exigem a divulgação do parecer técnico. Sóstenes Cavalcante (PL‑RJ) lembrou que a série tem mais de duas décadas no ar, enquanto Júlia Zanatta (PL‑SC) comparou a decisão a outras “pautas do governo”, como a ideologia de gênero, reforçando que a educação dos filhos cabe aos pais. O general Girão (PL‑RN) vinculou a mudança ao período pós‑2º turno de 2026, rotulando‑a de censura anticristã.
Implicações políticas e jurídicas
A justificativa oficial – “conteúdos sobre atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito” – levanta dúvidas, já que episódios de violência bíblica (Davi vs. Golias, Caim e Abel) são exibidos há 20 anos sem restrição. A ausência de publicação do parecer técnico alimenta suspeitas de arbitrariedade e uso da regulação cultural como ferramenta política logo após as eleições.
Do ponto de vista conservador, a medida confronta a liberdade religiosa com o princípio constitucional de laicidade. Se o Estado decide restringir conteúdo por motivos religiosos, abre precedente perigoso para intervenções futuras, enquanto os pais perdem a autonomia de decidir o que seus filhos assistem.
O debate também evidencia a polarização entre setores que defendem a proteção infantil e aqueles que temem censura velada. Enquanto o Ministério argumenta proteção, os críticos apontam custos ocultos: perda de audiência para um programa de nicho cristão, potencial retaliação eleitoral e erosão da confiança nas instituições.
Fonte: revistaoeste.com
