Flávio Bolsonaro foge, se proclama presidente eleito e agradece Trump
Senador Flávio Bolsonaro chega a Miami alegando ser “presidente eleito” e agradece a Donald Trump
Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami afirmando que liderará a oposição brasileira do exterior, apesar da vitória constitucional de Luiz Inácio Lula. A carta divulgada por aliados nos EUA reaviva as alegações de fraude eleitoral e coloca em xeque a estratégia da família Bolsonaro diante das investigações em curso.
Contexto da fuga e da declaração
Na madrugada de 28 de outubro, o senador cruzou a fronteira com a Argentina, fez escala em um avião privado no Equador e seguiu para os Estados‑Unidos. O itinerário, longe dos corredores habituais, sugere tentativa de dificultar o rastreamento enquanto se busca apoio internacional. A carta, assinada por Flávio e distribuída por Paulo Figueiredo e André Porciuncula, repete as acusações de fraude na eleição de 25/10, critica o Supremo Tribunal Federal e agradece a hospitalidade do ex‑presidente americano Donald Trump.
Implicações políticas e geopolíticas
Ao se autodenominar presidente eleito, Flávio visa captar a base bolsonarista que ainda questiona a legitimidade do mandato de Lula, mas o gesto também beneficia os opositores ao evidenciar a ruptura entre discurso e realidade. A família Bolsonaro pode sofrer desgaste interno: declarações anteriores de que não fugiria ou anularia a eleição foram revertidas em menos de 24 horas, revelando fissuras entre aliados moderados, que tentaram persuadi‑lo a recuar, e radicais que apoiam a narrativa de “golpe”.
O pedido do ministro Alexandre de Moraes (STF) para entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, ganha nova camada de pressão ao colocar o senador fora do território nacional. Caso as autoridades brasileiras busquem cooperação judicial com os EUA, a presença de Flávio em Miami pode gerar um impasse diplomático, embora até o momento não haja declaração oficial de envolvimento do governo de Trump.
Do ponto de vista geopolítico, a gratidão a Donald Trump indica tentativa de alinhar-se a setores pró‑Bolsonaro nos Estados‑Unidos, mas também arrisca a associação da família a um líder cuja popularidade internacional está em declínio. Essa estratégia pode atrair apoio pontual, porém pode custar credibilidade institucional ao sugerir que a legitimidade de um governo eleito depende de reconhecimento externo.
Em síntese, a ação de Flávio Bolsonaro reforça a polarização política no Brasil, desloca o foco da disputa eleitoral para questões judiciais e de soberania, e coloca em evidência a vulnerabilidade de movimentos que buscam legitimação fora das normas democráticas.
Fonte: diariodocomercio.com.br
