EUA Exigem Desmonte de Complexos Nucleares do Irã em Nova Rodada de Negociações
Em uma nova rodada de negociações nucleares, os Estados Unidos exigiram que o Irã desmonte seus três principais complexos nucleares, localizados em Fordow, Natanz e Isfahan, e transfira parte de seu estoque de urânio enriquecido para fora do país. Essa exigência foi feita durante a terceira rodada de negociações, realizada na Embaixada de Omã em Genebra, na Suíça, no dia 26 de fevereiro de 2026.
Os representantes dos EUA, Jared Kushner e Steve Witkoff, lideraram as negociações, enquanto o Irã foi representado por autoridades de alto escalão, incluindo o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. O Ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, hospedou a reunião na Embaixada de Omã em Genebra. Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), e Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, também contribuíram com comentários sobre a situação.
Contexto e Objetivos
O objetivo dos EUA é limitar o programa nuclear iraniano, que ainda possui quantidades significativas de urânio enriquecido e poderia produzir material suficiente para uma bomba nuclear em menos de uma semana. O contexto histórico é marcado pelo Acordo de 2015 (JCPOA), que limitava o estoque de urânio e permitia a fiscalização da AIEA em troca de alívio de sanções. No entanto, a retirada dos EUA do acordo em 2018, sob a administração Trump, levou o Irã a retomar e intensificar o enriquecimento. Ataques ordenados por Donald Trump contra Fordow, Natanz e Isfahan em junho de 2025 também contribuíram para a atual situação.
O posicionamento iraniano é de que o programa é “pacífico” e que um acordo só seria possível se as questões nucleares e não-nucleares fossem tratadas separadamente. O Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, negou que o Irã tenha oferecido suspender o enriquecimento ou que os EUA tenham pedido “zerar a produção”.
Desenvolvimento das Negociações
As negociações foram descritas como “intensas e sérias”, sem propostas extremas predominantes. O Irã pode oferecer “concessões maiores” que nas negociações anteriores, incluindo a suspensão do programa de enriquecimento por alguns anos, o aumento da fiscalização da AIEA e a transferência de parte do urânio altamente enriquecido a parceiros confiáveis, como Omã ou Rússia. No entanto, a exigência de exportar todo o estoque de urânio “dificilmente seria aceita”. As condições para concessões maiores dependem do alívio de sanções que os EUA estejam dispostos a conceder.
Hamidreza Azizi, do SWP, indica que o Irã pode oferecer “concessões maiores” que nas negociações anteriores, inclusive antes da “guerra de 12 dias com Israel”. Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, descreve o Irã como “uma ameaça muito grave”. As negociações não resultaram em um acordo final, e o futuro dependerá das condições de alívio de sanções e da disposição iraniana em separar questões nucleares das não-nucleares.
Em resumo, as negociações entre os EUA e o Irã estão em andamento, com o objetivo de limitar o programa nuclear iraniano. As exigências dos EUA incluem o desmonte dos complexos nucleares e a transferência de parte do estoque de urânio enriquecido. O Irã pode oferecer concessões maiores, mas as condições para isso dependem do alívio de sanções. O futuro das negociações é incerto, e um acordo final ainda não foi alcançado.
Juliana R. Prado (jrprado@acheicerto.com.br)
