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Conselho da Paz de Trump: Nova Era na Mediação de Conflitos Globais ou Desafio à ONU?

Em uma movimentação que pode redefinir o cenário de mediação de conflitos globais, o “Conselho da Paz” criado por Donald Trump realizou sua primeira reunião oficial em Washington, com o foco inicial na reconstrução de Gaza e na resolução de conflitos na região. O objetivo declarado do conselho é ambicioso: tornar-se no “órgão internacional mais importante da história” para mediação de conflitos, o que levanta questionamentos sobre como isso afetará a Organização das Nações Unidas (ONU) e as dinâmicas geopolíticas globais.

O conselho, que tem Donald Trump como presidente vitalício, conta com membros-chave como Marco Rubio, Steve Witkoff, Jared Kushner e Tony Blair no Conselho Executivo Fundador. A participação de cerca de 20 países, incluindo Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Egito, é notável, mas a ausência de países como Reino Unido, França e Brasil, além de principais aliados europeus, é igualmente significativa. A reunião, marcada para o dia 19 de fevereiro, segue o lançamento oficial do conselho em 22 de janeiro de 2026, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.

Contexto e Objetivos

O contexto imediato para a criação do conselho é a busca por uma solução para o conflito entre Israel e Hamas, com o objetivo de reconstruir Gaza. No entanto, o objetivo amplo é mais abrangente, visando substituir ou competir com a ONU na mediação de conflitos globais, conforme as críticas de Trump à organização. O financiamento do conselho vem de taxas de adesão pagas pelos países membros, no valor de US$ 1 bilhão cada, com US$ 5 bilhões já prometidos para a reconstrução de Gaza.

A falta de representação palestina no conselho é um dos pontos polêmicos, criticado por países como o Brasil e a União Europeia, bem como por líderes palestinos. Além disso, a inclusão de membros controversos, como Tony Blair, e a oposição de Israel à composição do conselho, adicionam complexidade à iniciativa. A crítica à legitimidade do conselho também é significativa, com questionamentos sobre a falta de mecanismos de prestação de contas e o desvio da resolução da ONU que endossou a iniciativa.

Desafios e Perspectivas

O plano de reconstrução de Gaza, estimado em US$ 70 bilhões, é um desafio significativo. O plano de Jared Kushner prevê a construção de arranha-céus e uma zona turística em 2-3 anos, com um custo mínimo de US$ 25 bilhões. No entanto, a condição para a paz, que inclui o desarmamento total do Hamas, é rejeitada pelo grupo sem a criação de um Estado palestino, o que complica as negociações.

A posição do Brasil, condicionando a participação à inclusão de palestinos e criticando Trump por “querer ser dono da ONU”, reflete as divisões internacionais em torno da iniciativa. A falta de detalhes sobre as funções precisas dos conselhos executivos e a contribuição dos países para o financiamento do conselho são limitações adicionais que precisam ser abordadas.

Em resumo, o “Conselho da Paz” de Donald Trump representa uma iniciativa ambiciosa para a mediação de conflitos globais, mas enfrenta desafios significativos, incluindo a falta de representação palestina, a oposição de Israel e as críticas à legitimidade. A forma como esses desafios serão superados determinará o sucesso ou o fracasso do conselho em alcançar seus objetivos.

Juliana R. Prado (jrprado@acheicerto.com.br)

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