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Banco Master lucra, erário paga: esquema de crédito ao BRB

PF indica 15 pessoas em esquema de venda de carteiras de crédito ao BRB

Polícia Federal encerra inquérito e aponta um “circuito interno” entre o Banco Master e o Banco de Brasília, com a participação de ex‑presidente do BRB. O caso revela riscos de conluio entre poder público e iniciativa privada, além de dúvidas sobre a eficácia da supervisão do Banco Central.

Contexto e estrutura do suposto esquema

O relatório da PF descreve um conjunto de núcleos – estratégico‑decisório, executivo‑financeiro, operacional e de interposição empresarial – coordenados por Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master, e por ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa. A empresa de fachada Tirreno, controlada por Henrique Souza e Silva Peretto, teria servido de ponte para a geração e “lavagem” de carteiras de crédito que foram vendidas ao Banco de Brasília. Documentos assinados por diretores do Master (Angelo Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull e Alberto Félix de Oliveira Neto) corroboram a existência de contratos entre as duas partes.

Outros executivos – Augusto Ferreira Lima (ex‑sócio de Vorcaro), Allan da Silva Machado e André Felipe de Oliveira Seixas Maia – são apontados como responsáveis pela operacionalização e pela interposição empresarial. O Banco Pleno, controlado por Lima, foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro 2026, medida que pode ter sido motivada pelas irregularidades detectadas.

Implicações políticas, econômicas e institucionais

Responsabilidade política. A presença de Costa, ex‑presidente do BRB indicado por Ibaneis Rocha (governador do DF), levanta a questão de até que ponto a gestão pública foi informada ou beneficiada pelo negócio. Se comprovada a conivência, o erário pode arcar com prejuízos decorrentes da superavaliação das carteiras de crédito.

Impacto ao contribuinte. Embora o relatório não apresente valores exatos de perdas, a prática de vender créditos inflacionados a um banco público pode gerar déficits que, em última análise, são repassados ao cidadão por meio de tarifas ou menor disponibilidade de crédito.

Falhas de supervisão. A liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central somente em fevereiro 2026 sugere que os mecanismos de monitoramento não detectaram, ou não reagiram a tempo, as irregularidades apontadas pela PF. O caso reforça a necessidade de reforçar a vigilância sobre operações de compra e venda de ativos creditícios, especialmente quando há intermediação de empresas de fachada.

Uso de empresa de fachada. A Tirreno, descrita como “empresa de prateleira” sem empregados nem patrimônio, funcionou como caixa‑preta para movimentar recursos e gerar documentos falsos. Esse modelo evidencia como a estrutura societária pode ser manipulada para esconder a real origem e destino dos fluxos financeiros.

Defesas e risco de politização. Os advogados dos indiciados alegam que a PF “antecipou conclusões” e ignorou documentos que poderiam excluir responsabilidade, apontando para a possibilidade de uso da investigação como instrumento de pressão política. Enquanto as defesas são analisadas, a Justiça deverá avaliar se há evidências suficientes para sustentar as acusações ou se o processo corre risco de ser percebido como excessivamente acusatório.

Com 15 indiciados, dos quais oito já estão presos, o desdobramento judicial ainda está em fase inicial. O andamento dos processos poderá definir precedentes importantes para a responsabilização de gestores privados e públicos em operações de crédito e para o fortalecimento da ordem econômica baseada na transparência e no respeito à propriedade.

Fonte: diariodocomercio.com.br