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Carnaval em Pernambuco: Onde a Fé e a Folia se Encontram

Carnaval em Pernambuco: Onde o Sagrado Encontra o Profano

No Recife, durante a Quarta-feira de Cinzas (18 de fevereiro de 2026), o carnaval se tornou um cenário único para a convergência do sagrado e do profano. Nesta cidade pernambucana, a festa mais colorida do Brasil encontrou um espaço de coexistência com a religiosidade, desafiando a ideia de que esses dois universos são mutuamente exclusivos. Um dos pontos altos dessa celebração foi a homenagem a Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, através da escultura “Galo Folião Fraterno”, erguida na Ponte Duarte Coelho, no centro do Recife.

Religiosidade e Carnaval: Uma Coexistência Possível

De acordo com o doutor em ciência da religião, Liniker Xavier, uma pessoa religiosa pode e deve ter espaço no carnaval. Essa perspectiva é compartilhada por várias figuras religiosas e artistas locais, que veem na festa uma oportunidade de expressar a religiosidade de forma lúdica e coletiva. A escultura “Galo Folião Fraterno” é um exemplo disso, simbolizando a alegria e a fraternidade que Dom Hélder Câmara defendia. Além disso, a religiosidade popular no Recife é marcada por formas coletivas de pertencimento, permitindo que o carnaval e a fé se misturem de maneira harmoniosa. O carnaval, portanto, se apresenta como uma manifestação cultural rica, que expressa a complexa relação entre fé e folia, merecendo ser protegida e valorizada.

A presença de líderes religiosos, como o Pastor Dadison, que participa de ações de evangelização durante o carnaval, e a realização de missas de Ação de Graças antes de cortejos, como a que ocorreu no Convento de Santo Antônio, antes de um cortejo com um coração cenográfico até a escultura do Galo gigante, demonstram a diversidade de interações entre diferentes religiões e a festa. Mesmo diante de polêmicas e estigmas, a celebração do carnaval no Recife reafirma a importância da tolerância e do respeito mútuo entre diferentes crenças e culturas.

Em resumo, o carnaval em Pernambuco, especialmente no Recife, se destaca por sua capacidade de unir o sagrado e o profano, promovendo um ambiente de celebração e reflexão. A homenagem a Dom Hélder Câmara e a presença de diversas expressões religiosas na festa são testemunhas da riqueza cultural e espiritual dessa região. Nesse contexto, é fundamental combater a intolerância religiosa e promover a compreensão e o respeito entre as diferentes crenças, permitindo que o carnaval continue a ser uma celebração inclusiva e significativa para todos.

Helena I. Mega (himega@acheicerto.com)

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