Noticias todos os dias para você se atualizar

68% das Empresas Brasileiras Despreparadas para Nova Norma de Segurança no Trabalho: Um Desafio à Responsabilidade Corporativa

NR-1: Desafio para as Empresas Brasileiras na Gestão de Riscos Ocupacionais

A recente pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos, que ouviu 1.730 empresas brasileiras em janeiro de 2026, aponta um dado preocupante: 68% delas não compreendem claramente o que muda com a nova NR-1. Essa norma regulamentadora, que exige a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), visa elevar o padrão da responsabilidade corporativa em relação à segurança e saúde no trabalho. O Brasil enfrenta um desafio significativo nessa área, com centenas de milhares de acidentes ocupacionais por ano, resultando em bilhões de reais em custos previdenciários.

Os números são alarmantes e refletem uma realidade que vai além dos aspectos humanitários, afetando diretamente a produtividade, a reputação, o valor de mercado e a confiança institucional das empresas. Em 2025, o país registrou um crescimento de 68% nas licenças médicas, somando cerca de 4 milhões de afastamentos, de acordo com o Ministério da Previdência Social. Entre as principais causas de afastamento pelo INSS, destacam-se os transtornos mentais, que incluem estresse, ansiedade e depressão, muitas vezes resultantes de riscos psicossociais como metas excessivas, jornadas prolongadas e liderança tóxica.

O Papel da Liderança na Cultura de Segurança

A cultura de segurança começa no topo, e líderes desempenham um papel fundamental na criação de um ambiente de trabalho saudável e seguro. A liderança não se limita a criar documentos ou políticas; ela envolve a adoção de práticas que promovam o bem-estar e a segurança dos funcionários. A NR-1, dialogando diretamente com a governança, posiciona o PGR como um instrumento de gestão de risco operacional capaz de ampliar a previsibilidade e proteger o valor das empresas. No entanto, a pergunta que permanece é se as empresas estão realmente gerenciando riscos ou apenas cumprindo formalidades.

Além disso, o fenômeno global da nomofobia, ou medo de ficar sem celular ou conexão, precisa ser considerado, pois pode levar a hiperestimulação, ansiedade permanente e fragmentação da atenção. A disponibilidade permanente, muitas vezes confundida com compromisso, pode ser sintoma de um problema maior, refletindo uma cultura de trabalho que não prioriza a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A nova NR-1 e o PGR são, portanto, fundamentais para a gestão eficaz de riscos ocupacionais e psicossociais, desafiando as empresas a irem além do cumprimento de formalidades e a adotarem uma abordagem proativa e responsável.

Em conclusão, a implementação efetiva da NR-1 e do PGR é crucial para o futuro das empresas brasileiras, não apenas em termos de compliance legal, mas também em relação ao seu impacto na saúde, segurança e produtividade dos trabalhadores. É essencial que as empresas invistam em uma cultura de segurança que comece no topo, reconhecendo que a liderança é o motor que move a mudança. A NR-1 serve como um espelho da maturidade corporativa, refletindo a capacidade das empresas de gerenciar riscos de forma eficaz e de priorizar o bem-estar de seus funcionários.

Helena I. Mega (himega@acheicerto.com)